segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Os efeitos do ácido D-aspártico na síntese da testosterona endógena

Com uma oferta assustadora de pró-hormonais no mercado, como escolher? Existem suplementos que realmente podem elevar os níveis de testosterona? Apresento-lhe um composto que pode trazer alguns resultados se a ideia for elevar a testosterona. Conhece o ácido D-aspártico?




O ácido D-Aspártico (D-Asp) é um aminoácido endógeno, que é encontrado nos tecidos neuro-endócrinos dos animais invertebrados e vertebrados.1 Inicialmente, pensou-se que este aminoácido era apenas encontrado no sistema nervoso dos moluscos,2 contudo a sua presença viria a ser confirmada em outros animais, inclusive humanos.3 Alguns trabalhos científicos, demonstraram que este aminoácido ocorre de forma transitória no cérebro de praticamente todos os animais, na última fase do seu desenvolvimento embrionário.3-6 Curiosamente altas concentrações de D-Asp, têm sido registadas nos testículos de ratos à nascença e aquando da sua maturação sexual, sugerindo um papel importante deste aminoácido na sexualidade.5
Outros trabalhos, também sugerem um papel importante deste aminoácido na espermatogénese,6 ao mesmo tempo que outros demonstram elevadas concentrações deste aminoácido nas glândulas endócrinas, particularmente na glândula pineal e nos testículos.1,7
Em ratos, não parecem restar dúvidas de que este aminoácido promove a libertação da hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH) no hipotálamo, da hormona luteinizante (LH) e da hormona de crescimento na glândula pituitária (ou se preferirem hipófise) e ainda de testosterona nos testículos.8 Em humanos, do sexo masculino, parece haver uma relação entre as concentrações deste aminoácido e a quantidade e motilidade do sémen,9 nas mulheres níveis baixos estão relacionados com uma menor qualidade dos oócitos e com menor fertilidade.10
A grande questão para o leitor provavelmente será: existem evidências de que em humanos suplementar com D-Asp eleva os níveis de testosterona?
Segundo uma publicação de cientistas italianos do ano de 2009, a suplementação com este aminoácido eleva, tanto em humanos como em ratos, os níveis de testosterona.11 Na pituitária dos ratos, este aminoácido aumenta síntese de LH assim como aumenta a síntese de testosterona nos testículos. As vias bioquímicas envolvidas incluem, tanto a cAMP como a cGMP, sendo também demonstrada que a síntese deste aminoácido acontece de forma endógena, a partir da D-aspartato racemase que converte o L-aspartato (L-Asp) em D-Asp.11
 Os efeitos do ácido D-aspártico nos níveis de testosterona e hormona luteinizante (LH).11

É preciso que tenha em mente, que a elevação de testosterona endógena não é comparável de forma alguma, à administração de testosterona exógena. Não existem suplementos que se comparem de forma alguma à administração exógena de hormonas, como acontece na terapia hormonal de substituição. Se um dia existirem, provavelmente não serão chamados de suplementos, e sim de fármacos.

O T-100 tem como principal composto o ácido D-aspártico, combinando-o com indole-3-carbinol, feno-grego, zinco e muitos mais ergogénicos.


O que pode esperar de um suplemento com D-Asp é uma elevação modesta e natural dos seus níveis endógenos de testosterona, apenas isso. Quem me conhece sabe que sou frontal e directo nas minhas abordagens, apesar dos resultados estatísticos serem revelantes nos níveis de testosterona dos humanos (P < 0.001),11 não estamos a falar de aumentos de 300% nos níveis endógenos, nem sequer de 100%  como algumas marcas publicitam. Ao longo da minha vida, sempre me debati para nunca perder o meu sentido crítico, isto acontece actualmente na minha formação académica, assim como se estende às minhas funções profissionais.



Filipe Teixeira
Direcção Técnica-Body Temple, Lda
The Tudor Bompa Institute, Portugal.
Nutrition & Performance Department of TBI.


As opiniões aqui contidas apenas reflectem a opinião do autor e não necessáriamente da empresa Body Temple Lda/Tudor Bompa Institute. Consulte sempre o seu médico ou profissional de saúde antes de enveredar por qualquer suplemento, plano alimentar ou tratamento.

Bibliografia:
1. D’Aniello A. D-Aspartic Acid: An endogenous amino acid with an important neuroendocrine role. Brain Res Rev. 2007; 53:215-234.
2. D’Aniello A, Giuditta A. Identification of D-aspartic acid in the brain of Octopus vulgaris. J Neurochem. 1977; 29:1053-1057.
3. Neidle A, Dunlop DS. Developmental changes of free D-aspartic acid in the chicken embryo an in the neonatal rat. Life Sci. 1990; 46:1517-1522.
4. Hashimoto A, et al. Embryonic development and postnatal changes in free D-aspartate and D-Serine in the human prefrontal cortex.  J Neurochem. 1993; 6 I:348-351.
5. D’Aniello A, et al. Involvement of D-aspartic acid in the synthesis of testosterone in rat testes. Life Sci. 1996; 59:97-104.
6. D'Aniello A, Di Fiore MM, D'Aniello G, Colin FE, Lewis G, Setchell BP. Secretion of D-aspartic acid by the rat testis and its role in endocrinology of the testis and spermatogenesis. FEBS Letters. 1998; 436:23-27.

7. Takemtsu F, Homa H. Free D-aspartate in Mammals. Biol Pharm Bull. 2005; 28:1566-1570.

8. D'Aniello A, Di Fiore MM, Fisher GH, Milone A, Seleni A, D'Aniello S, Perna A, Ingrosso D. Occurrence of D-Aspartic acid and Nmethyl-D-aspartic acid in rat neuroendocrine tissues and their role in the modulation of luteinizing hormone and growth hormone release. FASEB J. 2000; 14:699-714.

9. D'Aniello G, Ronsini S, Guida F, Spinelli P, D'Aniello A: Occurrence of D-aspartic acid in human spermatozoa: Possible role in reproduction. Fertil Steril. 2005; 84:1444-1449.

10. D'Aniello G, Grieco N, Di Filippo MA, Cappiello F, Topo E, D'Aniello E, Ronsini S: Reproductive implication of D-aspartic acid in human pre-ovulatory follicular fluid. Human Reprod. 2007; 22:3178-3183.
11. Topo E, et al. The role and molecular mechanism of D-aspartic acid in the release and synthesis of LH and testosterone in humans and rats. Reproductive Biology and Endocrinology. 2009; 7:120.
 
 

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