sábado, 18 de agosto de 2012

Vitaminas, uma breve explicação


Depois do meu último artigo sobre as propriedades anabólicas da vitamina D (mais técnico), recebi alguns pedidos para uma explicação simples sobre as propriedades gerais das vitaminas. É neste âmbito que escrevo este pequeno e resumido texto. Não terá referências ou explicações profundas, apenas informação superficial.



Do ponto de vista bioquímico, as vitaminas são substâncias predominantemente heterogéneas. A grande maioria das vitaminas não é sintetizada pelos animais, sendo que quando tal acontece, é sempre em quantidade insuficiente. Uma das principais funções das vitaminas, é a regulação de inúmeros processos bioquímicos e fisiológicos intimamente ligados ao metabolismo. De forma simples, a ausência de uma vitamina pode levar ao bloqueio de uma determinada reacção bioquímica na célula, sendo que quando este bloqueio acontece em grande escala pode ocorrer um desequilíbrio metabólico no organismo, que por sua vez poderá ter consequências mais ou menos graves na homeostase.
As vitaminas são fundamentais na obtenção de energia a partir das ligações químicas e moleculares dos alimentos, na síntese de tecidos, na integridade da membrana plasmática das células, na síntese de hormonas etc. As carências vitamínicas (avitaminoses) podem levar a diversas doenças (raquitismo, nictalopia, pelagra etc). Se as avitaminoses geram problemas, o mesmo acontece com a ingestão excessiva de vitaminas (hipervitaminoses). No contexto dietético muitas vezes não se ingere a vitamina propriamente dita, mas sim uma próvitamina. Uma próvitamina, de forma redutiva, é um composto de estrutura similar a uma determinada vitamina, que por via metabólica pode ser convertida na mesma. Alguns exemplos são, o α e o β-caroteno (precursores da vitamina A), o 7-desidrocolesterol (precursor da vitamina D3) e até mesmo o aminoácido triptofano que é precursor do ácido nicotínico, a conhecida vitamina B4.
Existem também compostos designados de antivitaminas. Estes impedem o funcionamento e absorção normal de uma vitamina. Estes compostos químicos ligam-se a determinadas vitaminas alterando a sua metabolização ou bloqueando a sua absorção. Apesar de não ser objectivo deste pequeno texto as antivitaminas, deixo-vos o exemplo mais conhecido, a afinidade avidina/biotina. Esta é uma das muitas razões para não ingerir claras de ovo cruas. A avidina, que ocorre na clara do ovo cru, forma um composto com a biotina que é impossível de absorver no tracto intestinal. A cozedura degrada a avidina permitindo uma absorção eficaz da biotina. A não ser que pretenda dar biotina ao seu cólon (não… ele não agradece), parece-me boa ideia cozer as claras…
Existem várias antivitaminas, a tiaminase (degrada a tiamina), a hidrazida do ácido isonicotínico (geralmente usada no tratamento da tuberculose, antagonista da Vit. B6), a aminopterina (usada no tratamento da leucemia, antagonista da folacina), o dicumarol (anticoagulante, antagonista da Vit. K) e muitas mais.
Não irei alongar-me mais sobre esta temática. Espero que este reduzido texto tenha sido do seu agrado, e sobretudo que seja de alguma forma útil na compreensão de uma temática tão complexa e ampla como a perspectiva funcional das vitaminas.


Filipe Teixeira
Direcção Técnica-Body Temple, Lda
The Tudor Bompa Institute, Portugal.
Nutrition & Performance Department of TBI.


As opiniões aqui contidas apenas reflectem a opinião do autor e não necessáriamente da empresa Body Temple Lda/Tudor Bompa Institute. Consulte sempre o seu médico ou profissional de saúde antes de enveredar por qualquer suplemento, plano alimentar ou tratamento.



Leitura recomendada:
Lidon F, silvestre MM. Princípios de Alimentação e Nutrição Humana. Lisboa: Escolar Editora; 2010.

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