terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Anti-inflamatórios e lesão em atletas



Os AINEs são usados de forma bastante comum pelos atletas, como forma de minimizar as dores musculares e tratar lesões em fase aguda. Este trabalho recente efectuado pelo Institute of Sports Medicine em Copenhaga [1], vem apresentar uma nova abordagem a esta questão levantando a hipótese de que embora úteis no tratamento das lesões numa fase inicial, o seu uso prolongado poder não ajudar a recuperação muscular.





A utilização de anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) parece-me bastante exagerada nos dias que passam. Actualmente, e sem qualquer dificuldade, as pessoas tendem a se auto-medicar com este tipo de fármacos. A forma inconsciente como se tomam estas substâncias, aliada a uma persistência quase incipiente, provavelmente estará na origem da também exponencial utilização de inibidores da bomba de protões (IBP) [2,3].  

Neste contexto os atletas não são excepção.
Os AINEs são usados de forma bastante comum pelos atletas, como forma de minimizar as dores musculares e tratar lesões em fase aguda. Este trabalho recente efectuado pelo Institute of Sports Medicine em Copenhaga [1], vem apresentar uma nova abordagem a esta questão, levantando a hipótese de que embora úteis no tratamento das lesões numa fase inicial, o seu uso prolongado poder não ajudar a recuperação muscular. Os AINEs, reduzem efectivamente o processo inflamatório, contudo também reduzem a adaptação ao treino, ao mesmo tempo que interferem com a recuperação muscular. A causa destes efeitos parece estar ligada ao facto dos AINEs inibirem o efeito quimiotático do processo inflamatório, inibindo simultaneamente a expansão das células-satélite e dos macrófagos.  
Resumindo… os AINEs não diminuem o tempo de recuperação e até poderão diminuir o processo de regeneração dos tecidos lesionados, quando ingeridos de forma crónica pelos atletas.

Não se pretende com este breve artigo influenciar negativamente a toma destes medicamentos. Estes devem ser tomados de forma racional e sob supervisão médica quando o contexto clínico obviamente o justificar.



Cumprimentos,
Filipe Teixeira
Direcção Técnica-Body Temple, Lda
The Tudor Bompa Institute, Portugal.
Nutrition & Performance Department of TBI.


As opiniões aqui contidas apenas reflectem a opinião do autor e não necessáriamente da empresa Body Temple Lda/Tudor Bompa Institute. Consulte sempre o seu médico ou profissional de saúde 




Bibliografia:

1. Mackey AL, et al. Rehabilitation of muscle after injury – the role of anti-inflammatory drugs. Scan J Med Sci Sports 2012;22(4):e8-14.

2. Bell AD. Misoprostol vs omeprazole for ulcers associated with NSAIDs. Can Fam Phys 1998;44:2371.

3. Hawkey CJ, et al. Omeprazole led to greater remission rate than misoprotol for ulcers associated with non-steroidal anti-inflammatory drugs. N Eng J Med 1998;338:727-34.     

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