domingo, 18 de agosto de 2013

HIIT poderá ser benéfico na redução da glicémia em diabéticos tipo 2

imagem: http://inyourspacefitness.wordpress.com




Um estudo muito interessante elaborado por cientistas portugueses (1), dá boas indicações em relação à utilização do treino intervalado de alta intensidade (HIIT) em doentes com diabetes tipo 2 (DT2)






O HIIT caracteriza-se por períodos de elevada intensidade aeróbica, seguidos por períodos de descanso relativamente curtos ou de recuperação activa. A pesquisa científica em relação ao HIIT, parece indicar de que o mesmo poderá em determinadas situações ter benefícios para a saúde, particularmente no aumento do VO2max em doentes com transplante cardíaco (2).



Exemplo de um treino de HIIT, fonte: http://www.bendifulblog.com/h-i-i-t/


Um estudo recente, afirma que a adição do HIIT não mostrou melhorias na sensibilidade da insulina à glucose oral e a outros parâmetros (3). Contudo o grupo que fez HIIT aumentou o VO2max, preservou mais massa magra e manteve os níveis de resistina sob controlo. Note-se que a resistina é uma adipocitocina fortemente associada à resistência à insulina (4).

O que este grupo de cientistas portugueses pretendeu fazer foi, testar a segurança e eficácia do HIIT nos níveis de glucose pós-prandial em doentes diabéticos.

Foi um estudo aleatório, que consistiu em 12 indivíduos (n=12), diagnosticados com DT2, 6 homens e 6 mulheres, com hemoglobina glicosilada (Hb A1c) de 7.09±1.18%, IMC de 30.07±5,64kg/m2, tratados com antidiabéticos orais (o único comum a todos foi a metformina). Os indivíduos foram sujeitos a um protocolo de HIIT em passadeira e a uma sessão de controlo em repouso (sentados), isto com uma semana de intervalo entre os 2 protocolos. A glucose capilar foi avaliada em jejum, imediatamente antes do protocolo, durante o protocolo (aos 10, 20 e 30 minutos) imediatamente após as sessões (40 minutos) e durante a recuperação (50, 60, 70, 80 e 90 minutos).

O exercício apenas, foi suficiente para baixar sempre a glicémia em relação ao grupo de controlo, contudo em termos de significância estatística (ANOVA 2 factores) a mesma só foi atingida aos 20 minutos (155.92±51.13 vs. 110.58±47.07 mg/dl, p=0.034), 30 minutos (148.50±55.58 vs. 95.08±44.77 mg/dl, p=0.017), 40 minutos (137.42±48.60 vs. 91.17±38.71 mg/dl, p=0.017) e 50 minutos (134.00±52.91 vs. 94.25±38.33 mg/dl, p=0.047). Não se registaram quaisquer efeitos adversos durante o protocolo HIIT (hipoglicemia, hiperglicémia, isquémia do miocárdio, AVC ou lesões musculo-esqueléticas).

O HIIT poderá ser uma boa abordagem no contexto do exercício físico, para o doente diabético tipo 2.



Cumprimentos,
Filipe Teixeira
Director Of Nutrition-Tudor Bompa Institute International
The Tudor Bompa Institute, Portugal 
Direcção Técnica-Body Temple, Lda


As opiniões aqui contidas apenas reflectem a opinião do autor e não necessáriamente da empresa Body Temple Lda/Tudor Bompa Institute. Consulte sempre o seu médico ou profissional de saúde antes de enveredar por qualquer suplemento, plano alimentar ou tratamento.



1.           Mendes R, Sousa N, Garrido N, Rocha P, Themudo Barata Jose L, Reis Victor M. EFFICACY OF ACUTE HIGH-INTENSITY INTERVAL TRAINING IN LOWERING GLYCEMIA IN PATIENTS WITH TYPE 2 DIABETES: DIABETES EM MOVIMENTO(R) PILOT STUDY. British Journal of Sports Medicine. 2013 Jun 10;47(10):e3–e3.
2.           Nytrøen K, Rustad LA, Aukrust P, Ueland T, Hallén J, Holm I, et al. High-intensity interval training improves peak oxygen uptake and muscular exercise capacity in heart transplant recipients. American journal of transplantation : official journal of the American Society of Transplantation and the American Society of Transplant Surgeons. 2012 Nov;12(11):3134–42.
3.           Sartor F, de Morree HM, Matschke V, Marcora SM, Milousis A, Thom JM, et al. High-intensity exercise and carbohydrate-reduced energy-restricted diet in obese individuals. European journal of applied physiology. 2010 Nov;110(5):893–903.
4.           Steppan CM, Bailey ST, Bhat S, Brown EJ, Banerjee RR, Wright CM, et al. The hormone resistin links obesity to diabetes. Nature. 2001 Jan 18;409(6818):307–12.


Sem comentários:

Enviar um comentário